Rio Grande do Sul mira oportunidades para mercado de energia limpa

Inspirado nos parques eólicos holandeses, o governo do Estado tem projeto de hidrogênio verde para o Porto de Rio Grande

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21/06/2022  às  15h40min

Rio Grande do Sul mira oportunidades para mercado de energia limpa
Visita a parques eólicos holandeses - Foto: Guilherme Hamm

Em convergência com a preocupação global sobre as matrizes energéticas, os impactos ambientais da sua produção e a possiblidade de escassez, o Rio Grande do Sul se prepara para fomentar e receber investimentos em produção de energia limpa no Estado. Em missão nos Países Baixos realizada no mês de maio, o secretário do Desenvolvimento Econômico, Joel Maraschin, participou da comitiva governamental que conheceu dois dos maiores parques eólicos da Holanda, em plataformas nearshore e offshore.

Na oportunidade, além de visitar usinas eólicas, Maraschin participou de um encontro sobre transição energética. O evento reuniu representantes de organizações responsáveis por negócios e projetos relacionados ao tema que apresentaram iniciativas em andamento no país, que é considerado referência em sustentabilidade. O Rio Grande do Sul tem dois protocolos de intenções e um memorando de entendimento assinados com três multinacionais a respeito de estudos para projetos de produção de energia eólica e hidrogênio verde que envolvem o Porto de Rio Grande e o litoral norte.

A visita técnica contemplou parques eólicos onshore e offshore. - Foto: Guilherme Hamm

A seguir, o Secretário conta um pouco da viagem e das ideias e oportunidades desse setor para o Estado.

Sedec - Qual o objetivo da viagem?

Secretário Joel Maraschin - Assim como em todas as outras missões que realizamos, o objetivo é exatamente poder conhecer o que está acontecendo lá fora, como os outros países e como o mundo anda se comportando nos mais diversos assuntos. No caso da missão à Holanda e Alemanha, o foco foi sobre energias renováveis e o hidrogênio verde. A partir daí, prospectarmos investimentos para o Estado com players que estão dando norte a este tipo de projeto no planeta.

Sedec - Qual potencial do Rio Grande do Sul para esse mercado (energia limpa – hidrogênio verde)? Que diferenciais competitivos o RS oferece para trazer investimentos deste setor?

Secretário Joel Maraschin - O Rio Grande do Sul tem um dos maiores potenciais do Brasil para energia eólica. Conforme os mapas de vento, o litoral do Estado tem, no quesito offshore, mais ventos ininterruptos e densidade do que qualquer outro litoral do país, fazendo da qualidade da massa de ar muito superior à de qualquer outro estado para produção de energia eólica. Ao mesmo tempo, a região da campanha é uma das melhores regiões do Brasil para produção onshore. Além disso, o mapa de insolação do Estado demonstra um potencial absurdo de geração de energia fotovoltaica. O Rio Grande do Sul é um mercado em potencial que ficou muitos anos com investimentos trancados devido à dificuldade de linhas de transmissão, o que já foi resolvido, então este não é mais um problema. Há também preocupação com o futuro, que temos trabalhado muito no chamado hidrogênio verde. A partir do momento que conseguirmos estabelecer a primeira planta para produção desta energia, já temos projetos sobre exportação de hidrogênio verde para Europa, mudança da matriz energética de algumas indústrias, mudança da cadeia produtiva de veículos que passem a trabalhar com células de hidrogênio, e tudo isso dentro dos protocolos internacionais de sustentabilidade. Então o Rio Grande do Sul tem um potencial muito grande para trazer investimentos para este setor devido à alta capacidade já estudada e registrada para produzir este tipo de energia.

Sedec - De que forma o governo do Estado pode aproveitar os conhecimentos adquiridos na missão?

Secretário Joel Maraschin - Acredito que uma das principais maneiras é por meio da promoção comercial. Indo atrás, fazendo contato, trocando experiências com investidores, players, associações, câmaras de comércio, com a própria embaixada do Brasil. Depois, promovendo a vinda desses atores importantes para conhecer nosso Estado. Inclusive já estamos fazendo isso com o grupo Enerfín, por exemplo, que também pretende investir em hidrogênio verde. Levamos eles até o Porto de Rio Grande, mostramos as nossas áreas e nosso potencial e ainda as empresas que estão lá instaladas e que podem vir a ser clientes deles. Toda essa ação de promoção comercial é uma das maneiras de aproveitar, além do relacionamento, networking. Estar presente, conhecer e ver acontecer. Entender como o mundo está se comportando para voltar para o Rio Grande do Sul e trazer de fora essas ideias e a possibilidade de tornar o Estado referência também nesses assuntos.

Sedec - E quais são os planos, em especial da Sedec, após a oportunidade de conhecer de perto as tendências mundiais do setor industrial?

Secretário Joel Maraschin - Nós assinamos recentemente um memorando de entendimento com a Ocean Winds, que fala justamente sobre um investimento de mais de R$ 100 bilhões para parques eólicos offshore no Estado, nas cidades de Rio Grande e Tramandaí. Temos protocolos de intenções já assinados com a Enerfín e com a White Martins, para a produção de hidrogênio verde no Estado. Ou seja, temos as mais diversas possibilidades e oportunidades de geração de energia a partir de fontes renováveis. Aguardamos ansiosamente pelo projeto do Grupo Cobra, que além da usina de regaseificação e geração de energia a partir da queima de gás, que emite menos CO² na atmosfera, transformar o excedente em gás para ser conduzido por gasoduto da região Sul do Estado até a região Metropolitana. Tudo isso tem influenciado muito para que a gente consiga modernizar a planta do Rio Grande do Sul, transformar as pequenas cadeias produtivas e atualizar os municípios. Dar um choque de realidade nos prefeitos que ainda não entenderam o que está acontecendo no mundo, para que o nosso Estado, que hoje tem o quarto maior PIB do Brasil, possa alavancar ainda mais esses números e tornar-se quem sabe o terceiro ou segundo. Mas principalmente, que o Estado possa conversar estes assuntos nas escolas, nas faculdades, nas prefeituras, câmaras de vereadores. Que o poder público passe a entender isso e fomentar todo esse debate que é importantíssimo para que o Rio Grande do Sul tenha novas oportunidades, esteja conectado com a realidade global e a partir disso, dê resultado aqui dentro atraindo investimento, gerando emprego e renda para a população.